No século 19, quando começou-se a discutir o fim da escravidão no Brasil, políticos do Partido Conservador defendiam que o governo indenizasse os senhores de escravos pelo fim da escravidão.
“A lei reconhece como propriedade e matéria tributável o escravo. A abolição sem indenização é uma medida arriscadíssima para a ordem social e econômica da Nação”, disse Andrade Figueira, deputado pelo Rio de Janeiro, em maio de 1888, durante os debates que antecederam a assinatura da Lei Áurea.
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“O que se pede é que o Estado pague o que deve; que não tome o alheio para fazer com ele generosidade… A propriedade é um direito sagrado; se a lei a criou, a lei não pode destruí-la sem justa indenização”, cobrou Paulino de Souza, senador e ex-ministro, segundo a qual, a propriedade escrava era garantida pela Constituição de 1824.
Mais de um século depois, a situação não mudou tanto na direita brasileira. Políticos ditos conservadores, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), defendem que o governo federal – ou na prática, os contribuintes – compense os patrões pelo fim da escala 6 X 1.
“Se o governo quer dar folga para o trabalhador, ele que pague a conta. O governo tem que dar desoneração da folha de pagamento, diminuir imposto para o empresário conseguir contratar mais.”
Nikolas em novembro de 2024
“Por isso eu estou propondo uma emenda que apoia o fim da escala 6×1, mas que garante que o aumento do custo seja suportado pelo governo. […] A emenda prevê que o governo federal arque com os custos da medida para que não faça caridade com o chapéu dos outros.”
Nikolas nas redes sociais em 16 de abril de 2026
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