O estado de São Paulo registrou 2.942 casos de estupro de menores de idade nos três primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública paulista. O número representa um aumento em relação ao mesmo período do ano passado e acendeu um alerta entre especialistas que acompanham a proteção de crianças e adolescentes no país.
Somente em março, foram contabilizadas 1.135 ocorrências, o maior volume do trimestre, mantendo uma sequência de crescimento mensal observada desde janeiro.
Especialistas da área de direitos da infância avaliam que o avanço desse tipo de crime está ligado a fatores como a disseminação de conteúdos misóginos nas redes sociais, além da dificuldade histórica de investigação e punição dos responsáveis.
Para integrantes da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, parte dos episódios sequer chega às autoridades, o que pode indicar um cenário ainda mais grave.
A discussão ganhou força após dois casos recentes de grande repercussão. Um deles ocorreu na Zona Leste da capital paulista, onde dois meninos, de 7 e 10 anos, foram atraídos por um grupo de homens e adolescentes sob o pretexto de brincar de pipa. Segundo a Polícia Civil, os menores sofreram abusos em um imóvel da comunidade. Um suspeito de 21 anos foi preso após ser localizado na Bahia, enquanto quatro adolescentes também foram apreendidos por participação no crime.
O caso veio à tona apenas dias depois, quando vídeos começaram a circular nas redes sociais e familiares procuraram a polícia. As vítimas passaram a receber acompanhamento médico, psicológico e proteção do Conselho Tutelar.
Especialistas também criticam a ausência, em São Paulo, de Delegacias Especializadas de Proteção à Criança e ao Adolescente, estruturas já existentes em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Eles defendem que unidades especializadas garantem atendimento mais humanizado e investigações mais qualificadas.
O tema ganha ainda mais visibilidade neste mês por causa da campanha Maio Laranja, mobilização nacional voltada à prevenção e ao combate da violência sexual contra crianças e adolescentes, com ações educativas e incentivo às denúncias pelo Disque 100.
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