Na quinta-feira (9), uma criança de 10 anos foi retirada de um apartamento no Setor Faiçalville, em Goiânia, depois de ser localizada sozinha e confinada no imóvel durante uma ação realizada pelo Conselho Tutelar, com apoio das forças de segurança. A criança, que completava aniversário no mesmo dia, estava sem acesso à água e à alimentação adequada.
A ocorrência envolveu equipes do Conselho Tutelar, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Após o resgate da criança, a mãe foi detida e encaminhada à Central de Flagrantes, onde foi autuada por abandono de incapaz, de acordo com a Polícia Civil.
A situação veio à tona depois que vizinhos denunciaram que o garoto permanecia isolado por longos períodos. Antes do resgate, conselheiros tutelares conseguiram conversar com a criança pela janela do quarto, utilizando uma escada.
Durante o contato, o menino contou que havia se alimentado apenas com bolachas fornecidas por uma moradora do prédio e pediu água. Para atendê-lo, os conselheiros improvisaram um sistema com lençóis e uma sacola plástica para entregar uma garrafa pela janela.
Com o acesso ao imóvel bloqueado, equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros realizaram a entrada forçada no apartamento, já que tanto a porta principal quanto a do quarto onde a criança estava permaneciam trancadas. No interior da residência, encontraram um cenário de abandono, com lixo acumulado, roupas espalhadas e alimentos deteriorados.
O cômodo onde o menino estava confinado tinha estrutura precária, contendo somente um colchão, poucos brinquedos, um ventilador e uma garrafa que, segundo as autoridades, era utilizada pelo menino para fazer as necessidades fisiológicas.
Segundo a investigação, a mãe afirmou ter deixado o filho sozinho porque precisava trabalhar. Ela alegou ainda que mantinha o menino trancado para impedir que ele tivesse acesso aos alimentos, já que a criança é portadora de diabetes tipo 1.
Após o resgate, o garoto foi encaminhado inicialmente a uma unidade de saúde, onde exames apontaram um quadro de descompensação da doença provocado pelo longo período sem alimentação adequada. Em seguida, ele foi transferido para o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente para atendimento especializado.
Moradores relataram que a situação era recorrente e afirmaram já ter ouvido o menino pedir socorro da janela em outras ocasiões. Uma vizinha disse que chegou a ajudá-lo com alimentos e que denúncias anteriores já haviam sido feitas ao Conselho Tutelar. O síndico do edifício também afirmou que a criança costumava permanecer sozinha durante o dia, observando outras crianças brincarem do lado de fora.
Em conversa com os conselheiros tutelares, a criança informou que gostaria de passar a viver com o pai, possibilidade que será analisada em conjunto com o Juizado da Infância e da Juventude, enquanto o caso segue sendo investigado pelas autoridades.
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