SUS lança apoio psicológico remoto para mulheres em situação de violência
O Ministério da Saúde passou a oferecer, na segunda-feira (24), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mulheres vítimas de violência e familiares responsáveis por pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O serviço gratuito está disponível em todo o país pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Batizada de Acolhe Mais, a iniciativa foi apresentada na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS pela primeira-dama Janja Lula da Silva e pelo ministro Alexandre Padilha. Participaram do lançamento representantes do governo, de movimentos sociais e a ativista pelos direitos das mulheres Luiza Brunet.
O programa surgiu como projeto-piloto em março, inicialmente restrito a Recife e ao Rio de Janeiro, e agora chega aos demais estados. Segundo Janja, o atendimento psicológico pode ajudar mulheres a preservar a saúde e enfrentar situações de vulnerabilidade, enquanto Padilha destacou a integração posterior com a rede pública local.
Para solicitar uma consulta, a usuária deve acessar o Meu SUS Digital com a conta gov.br, abrir a área “Miniapps” e selecionar o Acolhe Mais. Após o cadastro na plataforma da AgSUS, a equipe responsável fará contato em até 24 horas para definir a data e o horário do atendimento.
As consultas serão conduzidas por psicólogas capacitadas para oferecer escuta sensível, reconhecer situações de risco e trabalhar em ambiente virtual. Cada mulher poderá fazer até dez sessões, com possibilidade de iniciar outro ciclo ou receber encaminhamento para um Centro de Atenção Psicossocial e demais unidades da rede.
O atendimento funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, entre 8h e 14h. Em casos de perigo imediato, a orientação será acionar o Samu ou a Polícia Militar pelo telefone 190.
A ampliação ocorre diante do avanço dos registros de violência física, psicológica, sexual e financeira contra mulheres, que saltaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025. Thelma Mello, da Central de Movimentos Populares, apontou que o acesso remoto também poderá aliviar a sobrecarga enfrentada por mães atípicas e outras cuidadoras.
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