A fantástica loja de chocolates: o que aconteceu com a investigação sobre a “rachadinha” de Flávio Bolsonaro
O lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República ressuscitou a curiosidade sobre o destino da investigação sobre o desvio de salários de funcionários do seu gabinete – a popular “rachadinha” – na época em que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro (ALERJ).
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Em 2018, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Fabrício Queiroz, assessor e homem de confiança de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (RJ), entre 2016 e 2017. O valor era incompatível com a remuneração de Queiroz como assessor parlamentar e policial militar.
O órgão detectou depósitos de 48 envelopes de dinheiro em espécie, no valor de R$ 2 mil cada, totalizando R$ 96 mil, na conta do hoje senador.
Willy Wonka
A investigação também revelou que uma loja de chocolates da qual Flávio era sócio em um shopping no RJ seria um dos canais de lavagem de dinheiro do esquema.
O MP-RJ identificou que a loja recebia um volume de depósitos em dinheiro vivo muito superior a outras unidades da mesma franquia. Além disso, os depósitos ocorriam frequentemente em datas próximas ao pagamento dos salários na ALERJ.
Blindagem
O processo foi “esvaziado” por decisões dos tribunais superiores em 2021, quando Jair Bolsonaro ainda era presidente. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) anularam as quebras de sigilo bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro e de outros 100 investigados.
Mais recentemente, em fevereiro de 2025, o ministro Gilmar Mendes (STF) negou recursos do MP-RJ para reabrir o caso.
Tráfico de influência
Em julho de 2024, veio à tona o áudio de uma gravação feita pelo diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, de uma reunião de agosto de 2020, onde o então presidente Jair Bolsonaro discute uma estratégia para anular a investigação contra seu filho.
Na gravação, Bolsonaro sugere explicitamente conversar com os chefes da Receita Federal e do Serpro para obter informações que pudessem desqualificar o trabalho dos auditores fiscais.
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