Governo Lula cria força-tarefa para combater violência contra indígenas no pós-eleição
O governo Lula instituiu uma força-tarefa interministerial para acompanhar e combater denúncias de violência contra povos indígenas após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa reúne o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com o objetivo de agilizar a apuração dos casos, identificar os responsáveis e garantir a proteção das comunidades ameaçadas.
- Indígenas denunciam ameaças de envenenamento de água após vitória de Lula
- Povos indígenas usam redes sociais para denunciar ameaças e violência após eleições
- Indígenas terão menos de 1% do Congresso diante de avanço de partidos contrários às suas pautas
A mobilização ocorre após uma série de denúncias feitas por comunidades indígenas, especialmente dos povos Guarani e Kaiowá, no estado do Mato Grosso do Sul. Os relatos vieram a público após o resultado do segundo turno no domingo (25), e envolvem ameaças, intimidações, tentativas de assassinato e possíveis represálias motivadas pela manifestação política dos indígenas nas urnas.
Em nota conjunta, os ministérios destacaram que as divergências políticas não podem justificar ameaças ou agressões. “É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre”, afirma o comunicado.
Assassinatos
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas no estado do Mato Grosso do Sul são investigados desde sábado (24). Entre elas está um suposto atropelamento proposital de um indígena no município de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, na região de fronteira com o Paraguai.
Outro caso que mobilizou as autoridades envolve uma ameaça de envenenamento da água consumida por comunidades indígenas em Tacuru, no extremo sul de Mato Grosso do Sul. Um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura municipal registra uma fala de caráter racista e uma ameaça explícita contra os indígenas, associada ao apoio da comunidade ao presidente Lula. Na gravação, o homem afirma que os indígenas deveriam ser mortos e diz “ponha veneno na água, (vamos) matar essas pragas na água.”
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