MDB, União Progressista e Republicanos articulam uma estratégia para ampliar o poder no Congresso nas eleições de 2026. Em vez de fechar uma aliança nacional em torno de um único candidato à Presidência, as principais legendas do Centrão pretendem preservar acordos estaduais e investir na eleição de deputados e senadores, com o objetivo de fortalecer a influência sobre o próximo governo e sobre a distribuição de recursos federais. As informações são do ICL Notícias.
A movimentação ocorre em meio ao crescimento da participação parlamentar na definição do Orçamento. A previsão para 2026 reserva aproximadamente R$ 61 bilhões para emendas. Desse montante, R$ 37,8 bilhões correspondem às modalidades individuais e de bancada, que precisam ser executadas pelo governo quando não há impedimento técnico. Outros R$ 12,1 bilhões estão vinculados às comissões do Congresso e dependem de negociação com o Executivo.
Esse poder foi construído gradualmente pois, até 2015, o Palácio do Planalto tinha maior liberdade para decidir quando liberar os valores indicados pelos parlamentares. Mudanças constitucionais tornaram obrigatórias primeiro as emendas individuais e, depois, as de bancada, possibilitando que deputados e senadores conseguissem interferir diretamente em uma parcela maior dos investimentos públicos.
Para Bianca Casais, pesquisadora do Observatório da Política do Insper, as emendas ganharam espaço na sustentação de alianças com prefeitos, vereadores e entidades locais. Os recursos podem financiar hospitais, escolas, pavimentação, equipamentos e obras, mas também despertam preocupação com práticas clientelistas, falta de transparência e prejuízos ao planejamento nacional.
O mecanismo permanece sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal e de órgãos de controle. Em julho, o ministro Flávio Dino cobrou explicações de dirigentes partidários sobre a participação das legendas na escolha e na execução das verbas.
Ao buscar bancadas maiores, o Centrão reduz a dependência de uma candidatura presidencial e se credencia para negociar ministérios, comissões e prioridades com qualquer vencedor. Assim, o Congresso chegará ao próximo mandato mais fortalecido diante do Executivo.
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