Desembargador amigo de Nunes Marques é alvo de operação do CNJ
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, nesta quinta-feira (24) uma operação de busca e apreensão no gabinete do desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (do TRF-1). Ramos é apontado em diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como integrante da “Turma do KN”, uma referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. As informações são da colunista da Folha de SP, Mônica Bergamo.
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- Daniel Vorcaro articulou hospedagem de R$ 1,4 milhão para Nunes Marques no Rio, mostram mensagens
- Contradição: Nunes Marques votou a favor do Master em ação de R$ 10 bilhões
Em dezembro de 2024, o escritório de advocacia da mulher do desembargador, Camila Ramos, fechou um contrato de R$ 427 milhões com o Banco Master, para representá-lo em um processo de precatórios do setor sucroalcooleiro. O Master mantinha uma carteira de precatórios do setor avaliada em R$ 10 bilhões.
Newton e Camila são apontados como grandes amigos de Nunes Marques. Diálogos mostram que o ministro viajou em uma aeronave de Vorcaro para celebrar o aniversário da advogada em Alagoas. Já o desembargador aparece em diálogos pedindo a reserva de quartos em hotel pago para Nunes Marques.
Caso Alcídia
O ministro alega que nunca trocou mensagens com o banqueiro. Em 2024, porém, Nunes Marques votou favoravelmente aos interesses do Master no caso da Destilaria Alcídia que possuía uma ação judicial antiga contra a União cobrando indenizações por prejuízos decorrentes do congelamento de preços fixados nas décadas de 1980 e 1990.
Em relação a Newton Ramos, o desembargador teria dado ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Master em um processo envolvendo uma usina em Alagoas.
O objetivo da operação desta quinta-feira, que tem o apoio da Polícia Federal, é recolher materiais de computadores e outros documentos para embasar a investigação.
De acordo com a reportagem, o advogado Kevin Marques, filho do ministro, também é citado no celular de Vorcaro, em diálogos em que o ex-banqueiro trata de pagamentos mensais de R$ 500 mil que seriam destinados a ele através da Consult Inteligência Tributária, que seria uma empresa “laranja” do esquema do Master. As mensagens foram trocadas entre Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro.
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