Uma nova pesquisa do Datafolha indica uma mudança no perfil ideológico dos brasileiros e mostra que, pela primeira vez desde 2014, os eleitores identificados com a direita e a centro-direita voltaram a superar aqueles alinhados à esquerda e à centro-esquerda.
O levantamento, realizado nos dias 17 e 18 de junho em 139 municípios, aponta que 44% dos entrevistados se enquadram no campo da direita, enquanto 39% foram classificados como integrantes da esquerda. Outros 17% ocupam posição de centro.
O resultado representa uma inversão em relação ao cenário registrado em 2022, quando a esquerda aparecia numericamente à frente. A diferença atual de cinco pontos percentuais supera a margem de erro da pesquisa, estimada em dois pontos para mais ou para menos.
A classificação utilizada pelo instituto não depende da autodeclaração dos entrevistados. O posicionamento ideológico é definido a partir das respostas sobre temas ligados ao comportamento social e à economia, formando uma matriz que considera os dois eixos com o mesmo peso.
Foi justamente nas questões comportamentais que ocorreu a principal mudança. Hoje, 52% dos entrevistados apresentam posições classificadas como de direita nesse eixo, contra 29% identificados com a esquerda. Em 2022, os dois grupos apareciam praticamente empatados.
Entre as alterações mais expressivas está a percepção sobre a pobreza. Cresceu significativamente o número de pessoas que atribuem a condição à falta de disposição para o trabalho, enquanto diminuiu a parcela que associa o problema à desigualdade de oportunidades. Apesar da queda, essa última visão ainda permanece como majoritária.
Também houve mudanças em temas relacionados à segurança pública e aos costumes. Aumentou o apoio à posse legal de armas de fogo, enquanto caiu o percentual dos que defendem sua proibição. Ao mesmo tempo, diminuiu a aceitação da homossexualidade em relação ao levantamento anterior e cresceu a defesa de punições equivalentes às de adultos para adolescentes envolvidos em crimes.
Na área econômica, porém, o cenário permanece diferente. As posições tradicionalmente associadas à esquerda continuam predominando. A maioria dos entrevistados considera que o Estado deve exercer papel central nos investimentos para impulsionar o crescimento econômico e avalia que a legislação trabalhista oferece proteção importante aos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, também aumentou o número de brasileiros que defendem menor dependência do governo e preferem pagar menos impostos em troca da contratação de serviços privados.
O levantamento ainda revela diferenças entre grupos da população. Homens aparecem mais identificados com a direita, enquanto entre as mulheres a esquerda mantém vantagem. Entre evangélicos, a identificação com a direita é mais elevada do que entre católicos, segmento em que há equilíbrio dentro da margem de erro.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais e retrata um cenário de mudanças no comportamento político e social do eleitorado brasileiro, em um contexto que pode influenciar os debates e as estratégias para as eleições de 2026.
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