Empresas sobem salários para segurar trabalhadores
A remuneração inicial dos trabalhadores com carteira assinada atingiu, em dezembro, o maior nível já registrado para o mês no Brasil. O movimento ocorre em um cenário de mercado de trabalho aquecido, marcado por desemprego em mínimas históricas, alta rotatividade e dificuldades crescentes das empresas para atrair e manter funcionários, especialmente em funções operacionais.
Dados do Caged e do Ministério do Trabalho e Emprego, revelados em reportagem da Folha de S. Paulo, mostram que o salário médio de admissão chegou a R$ 2.304, valor que representa ganho real de 2,5% em relação a dezembro de 2024.
O avanço foi identificado em levantamento do economista Bruno Imaizumi, da 4Intelligence, que aponta crescimento mais intenso justamente nos postos de menor remuneração, maior exigência física e necessidade de presença diária.
Entre os setores que mais elevaram os salários iniciais estão hipermercados, bares, restaurantes e a construção civil. Todos registraram, em dezembro, os maiores valores da série histórica iniciada em 2007, sempre com aumentos acima da inflação. A explicação passa pela concorrência direta com ocupações informais e flexíveis, como aplicativos de entrega e transporte, que oferecem retorno financeiro imediato e jornadas mais livres.
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A pressão por mão de obra também aparece na última Sondagem de Escassez do FGV Ibre. O estudo indica que quase dois terços das empresas enfrentam dificuldades para contratar ou reter trabalhadores. Em resposta, cresceu o número de companhias que reajustaram salários e ampliaram benefícios, com destaque para construção, varejo alimentar, vestuário, indústria farmacêutica e hospedagem.
Além da concorrência com o trabalho autônomo, fatores geracionais influenciam o cenário. Trabalhadores mais jovens, em média mais escolarizados, tendem a rejeitar funções consideradas mais pesadas. Soma-se a isso a valorização real do salário mínimo nos últimos anos, que funciona como referência para grande parte do mercado formal.
Empresas do varejo, como o Roldão Atacadista e a Cobasi, passaram a adotar estratégias como reajustes salariais, jornadas reduzidas e mais folgas aos domingos. O debate sobre mudanças na escala 6×1, tema prioritário do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, também influencia essas decisões.
A expectativa dos analistas é de que o mercado de trabalho siga em expansão, porém em ritmo mais moderado, acompanhando um crescimento econômico menos intenso do que o observado recentemente.
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