Skip to content Skip to footer

Justiça condena três PMs por tortura racial contra adolescente em Salvador

O juiz rejeitou as justificativas dos PMs e caracterizou o ato como tortura motivada por questão racial, condenando os três agentes.

Três policiais militares foram condenados à prisão pelo crime de tortura racial contra um adolescente no bairro de Paripe, em Salvador, em 2020. A decisão judicial foi divulgada na última semana pelo Ministério Público da Bahia e resultou na perda do cargo dos três agentes na corporação.

O crime, registrado em vídeo por moradores, mostra o soldado Laércio Santos Sacramento agredindo o adolescente com socos, pontapés e tapas, enquanto o xingava de “ladrão” e “vagabundo” por usar cabelo black power.

“Olha essa desgraça desse cabelo aqui. Você é trabalhador, viado?”, gritou o policial, conforme as imagens. Os outros dois PMs da guarnição – o sargento Roque Anderson Dias da Rocha e o soldado Márcio Moraes Caldeira – assistiram às agressões sem intervir.

TV Bahia

Condenações e consequências

  • Soldado Laércio Santos Sacramento (autor das agressões): condenado a 3 anos e 11 meses de prisão em regime fechado, perdeu o cargo e a graduação na PM e ficou proibido de retornar ao serviço público por tempo equivalente ao dobro da pena.
  • Sargento Roque Anderson Dias da Rocha e Soldado Márcio Moraes Caldeira: cada um condenado a 2 anos e 7 meses de prisão em regime aberto por não impedirem a tortura. Ambos também perderam o cargo e a graduação.

A defesa de Laércio e Roque informou que irá recorrer da decisão. Em depoimento à polícia, Laércio alegou estar “estressado” no dia do crime e que o adolescente “resistiu à abordagem” em uma “área perigosa”. Já os outros dois policiais disseram que “não tinham a obrigação de agir” e não identificaram claramente a situação como violenta.

Vítima precisou de proteção e se mudou de bairro

O adolescente, que na época contou ao g1 que estava voltando da praia com amigos quando foi abordado, afirmou que os policiais desqualificaram sua aparência: “Disse que com aquele cabelo ali, eu não era trabalhador não”. Por medo de represálias, ele deixou o bairro de Paripe e foi incluído no programa de proteção a testemunhas do Ministério dos Direitos Humanos.

O juiz rejeitou as justificativas dos PMs e caracterizou o ato como tortura motivada por questão racial, condenando os três agentes.

Bookmark

Aquiles Marchel Argolo

Jornalista, escritor, fã de cultura pop, antirracista e antifascista. Apaixonado por comunicação e tudo que a envolve. Sem música a vida seria impossível!

Mais Matérias

STF condena Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade e a 4 anos de prisão

Ex-deputado foi condenado por articular sanções dos EUA contra o Brasil para tentar blindar o pai, Jair Bolsonaro
12 jun 2026

Gleisi garante estar pronta para enfrentar o bolsonarismo no berço da “Lava Jato”

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado, deputada promete questionar o que Moro e sua turma fizeram pelo Paraná e o País desde que entraram no jogo político

Moraes cobra explicações sobre arma ligada a Bolsonaro após apreensão em abordagem no DF

Decisão exige esclarecimentos da defesa e da PM sobre armamento encontrado com segurança do ex-presidente em bloqueio policial
16 jun 2026

Ex-ministro de Bolsonaro recebeu R$ 11 milhões do Master

Do total recebido, R$ 773,3 mil foram pagos diretamente a Bento como pessoa física

Pré-candidato de Flávio Bolsonaro ao Senado, deputado do PL pressionou BC a favorecer Banco Master

Filipe Barros lançou uma série de iniciativas, que incluíram a convocação do presidente do BC, Daniel Galípolo
16 jun 2026

Investigação revela atividade irregular de empresa que ocasionou morte de jovem após salto radical

Três instrutores foram presos em flagrante após jovem cair de 40 metros na Ponte do Esqueleto; grupo realizava eventos há um ano sem permissão

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário