Maior alta do petróleo desde 1990 acende sinal vermelho para inflação e juros
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global de energia e impulsionou o preço do petróleo nesta segunda-feira (30). A commodity registrou alta superior a 2% nas primeiras negociações do dia, aproximando-se de US$ 115 por barril e consolidando um dos meses mais voláteis das últimas décadas. No acumulado de março, a valorização já chega perto de 60%, o maior avanço mensal desde o início dos anos 1990.
O movimento reflete o aumento da incerteza em torno do fornecimento global, especialmente diante de riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. O temor de interrupções logísticas elevou a sensibilidade dos mercados e acendeu alertas sobre possíveis impactos prolongados nos preços da energia.
Além do petróleo, a tensão geopolítica já provoca efeitos em cadeia. Insumos industriais e energéticos, como gás natural, fertilizantes e alumínio, também registraram alta, pressionando custos de produção em diversos setores. O encarecimento desses itens tende a chegar ao consumidor final, com reflexos esperados em alimentos, medicamentos e produtos derivados da indústria petroquímica.
O cenário é especialmente preocupante para economias asiáticas, altamente dependentes de importações de petróleo da região do Golfo. Indicadores de mercado já refletem esse impacto, com recuo nas bolsas da Ásia-Pacífico e aumento da aversão ao risco entre investidores.
A crise também reacende preocupações inflacionárias em escala global. Com a energia mais cara, cresce a expectativa de manutenção de juros elevados por mais tempo nas principais economias, o que pode frear o crescimento econômico.
Nos Estados Unidos, a atenção se volta para declarações de dirigentes do Federal Reserve e para dados econômicos que devem indicar os próximos passos da política monetária.
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