Mercado chinês pode ajudar Brasil a rastrear origem da carne e combater desmatamento
A forte relação comercial entre Brasil e China pode ajudar o país a melhorar o controle sobre a origem da carne bovina produzida na Amazônia. Principal comprador do produto brasileiro, o país asiático reúne escala, tecnologia e recursos financeiros que podem estimular produtores e empresas a adotar sistemas mais eficientes de rastreamento e controle socioambiental.
A China responde por quase metade das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2024, foram cerca de 1,33 milhão de toneladas destinadas ao mercado chinês. O país também recebeu 74% das exportações de soja em 2023, o que demonstra o peso da China para as principais cadeias agropecuárias brasileiras.
Em 2025, Brasil e China assinaram memorandos de cooperação envolvendo tecnologias, dados e pesquisas sobre monitoramento de florestas e pastagens, além de discutir mecanismos para aproximar sistemas de certificação de carne e soja. Um exemplo é o teste no Porto de Tianjin da certificação Beef on Track, do Imaflora, que verifica a conformidade socioambiental da carne e acompanha sua origem.
O desafio está na estrutura da cadeia pecuária. Estudo do WRI Brasil analisou 21 iniciativas na Amazônia e no Cerrado e concluiu que o país possui ferramentas de monitoramento, mas elas funcionam de forma fragmentada. O principal gargalo está nos fornecedores indiretos, que vendem o gado para propriedades que posteriormente o fornecem aos frigoríficos.
A falta de integração dificulta identificar animais de áreas com problemas ambientais. Por isso, especialistas defendem protocolos para conectar bases de dados e ampliar a rastreabilidade até a propriedade de nascimento e criação, permitindo verificar se a carne está associada ao desmatamento.
A China pode ser decisiva nesse processo. Exigências como a “experiência Boi-China” (abate até os 30 meses) já estimularam melhorias na nutrição, no manejo de pastagens e na eficiência. A proposta é ampliar esse efeito para a questão ambiental.
Com exigências de rastreabilidade, o mercado chinês criaria incentivos econômicos para a produção sem desmatamento, a recuperação de pastagens e o ganho de produtividade sem avançar sobre a vegetação nativa.
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