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Minas Gerais concentra maior risco de desastres por chuva no país

(Foto: Bombeiros MG/Divulgação)

O Sudeste concentra hoje a maior pressão provocada por desastres relacionados à chuva no Brasil, e Minas Gerais desponta como o estado mais vulnerável nesse cenário. É o que revela o Relatório Anual Estado do Clima no Brasil 2025, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A sequência de tragédias na Zona da Mata mineira não é ponto fora da curva. O estado reúne fatores que ampliam o risco: cidades densamente ocupadas em encostas e margens de rios, relevo acidentado e episódios cada vez mais intensos de instabilidade atmosférica.

Dos 853 municípios mineiros, 283 apresentam alta suscetibilidade a deslizamentos e inundações. Nesse conjunto, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas vivem sob ameaça direta.

O problema não se limita a Minas. Em todo o país, 1.942 municípios estão expostos a eventos extremos de chuva, abrangendo quase 149 milhões de habitantes. Para cerca de 8,9 milhões, o risco de ocorrência de desastres é considerado elevado. Nas últimas décadas, os registros desse tipo de ocorrência mais que triplicaram, reflexo da intensificação de fenômenos climáticos.

Apesar do avanço dos alertas meteorológicos e dos sistemas de monitoramento, especialistas apontam que a resposta ainda é predominantemente reativa. Em Minas Gerais, por exemplo, os recursos destinados à prevenção de desastres sofreram queda expressiva entre 2023 e 2025, enquanto os eventos extremos se tornaram mais frequentes.

O ano de 2025, mesmo sem a influência do El Niño, acumulou episódios severos de chuva em grandes centros urbanos, além de períodos prolongados de estiagem, ondas de calor e tempestades com ventos intensos. Os prejuízos materiais somaram bilhões de reais, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.

Com a temperatura média dos últimos anos acima dos níveis pré-industriais, o relatório reforça um ponto central: alertar é fundamental, mas não suficiente. Reduzir vulnerabilidades urbanas e investir em prevenção são medidas decisivas para evitar que novas temporadas de chuva repitam o mesmo roteiro de perdas humanas e econômicas.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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