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Bolsonarista Campos Neto “salvou” o Master duas vezes

No apagar das luzes de seu mandato, Campos Neto limitou-se a aplicar medidas "preventivas" na instituição financeira liquidada no ano passado
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: bolsonarista teria evitado que propostas de intervenção chegassem à diretoria do BC. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-presidente do Banco Central do governo Bolsonaro, Roberto Campos Neto, impediu por duas vezes que o Banco Master fosse liquidado, mesmo sabendo dos graves problemas de liquidez da instituição financeira. De acordo com a reportagem do Estadão, essas intervenções diretas ocorreram em março e novembro de 2024, seu último ano de mandato.

O BC já monitorava o Master e havia detectado irregularidades alarmantes, como a prestação de informações incorretas à autarquia, insuficiência de capital e um estoque de ativos líquidos incapaz de honrar passivos crescentes, mas Campos Neto teria evitado que propostas de intervenção chegassem ao colegiado, agindo como uma espécie de “salvador” do banco ao travar medidas drásticas da fiscalização.

Além disso, foi o ex-presidente bolsonarista quem concedeu a autorização para o Master comprar, em outubro de 2019, então banco Máxima por Daniel Vorcaro foi concedida em outubro de 2019, primeiro ano dele à frente do BC após ser indicado para o posto por Jair Bolsonaro (PL-RJ).

A blindagem oferecida pela gestão de Campos Neto também passou pela esfera normativa. Em outubro de 2023, o Banco Central editou uma norma sobre a contabilização de precatórios que continha uma “brecha” fundamental para o Master: ela permitiu que a instituição mantivesse bilhões em ativos de risco sem a necessidade de novos aportes dos sócios ou venda forçada de bens.

Esse fôlego foi essencial para sustentar o crescimento exponencial do banco, que saltou de R$ 3,7 bilhões em ativos em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, mesmo sob forte desconfiança do mercado e relatórios de agências de risco que já não recomendavam seus papéis.

No apagar das luzes de seu mandato, mesmo quando o Master deixou de recolher os depósitos compulsórios obrigatórios e enfrentou dificuldades severas para rolar suas dívidas, a presidência do BC sob o comando de Campos Neto, limitou-se a aplicar medidas “preventivas”.

Essa postura de contenção evitou o colapso imediato da instituição, permitindo que ela continuasse operando até que novas investigações da Polícia Federal surgissem em 2025, revelando fraudes na venda de carteiras de crédito que a vigilância de Campos Neto não interrompeu enquanto ele esteve na presidência do BC.

Os problemas do Master vêm de longe. Consultorias como a Warren Investimentos disse a seus clientes não recomendar a aquisição de CDBs do banco.

Quem acabou determinando a liquidação do Master foi o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado. Galípolo substituiu Campos Neto após ser indicado para o cargo em agosto de 2024 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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