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Brasil quer trabalhar menos dias por semana, indica pesquisa Datafolha

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Segundo levantamento do instituto Datafolha, 71% dos entrevistados defendem a redução do número máximo de dias trabalhados na semana, o que implicaria o fim do modelo conhecido como escala 6×1, no qual o trabalhador tem apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho. Outros 27% se posicionaram contra a mudança e uma pequena parcela não soube ou preferiu não responder.

O estudo foi realizado entre os dias 3 e 5 de março e ouviu 2.004 pessoas com idade a partir de 16 anos em 137 municípios espalhados pelo país. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Em comparação com levantamento anterior do mesmo instituto, divulgado no final de 2024, houve aumento no apoio à revisão da escala semanal. Na ocasião, o índice de brasileiros favoráveis à mudança era de 64%.

O tema voltou ao centro das discussões políticas porque projetos que tratam da jornada de trabalho estão em análise no Congresso Nacional. Entre as alternativas debatidas está a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas sem redução de salário.

A proposta defendida por integrantes do governo prevê que a lei estabeleça o limite de horas, enquanto a definição de escalas com dois dias de descanso poderia ser negociada entre empregadores e trabalhadores. Outras propostas em tramitação sugerem mudanças ainda mais amplas na jornada.

A pesquisa também analisou a rotina de trabalho dos entrevistados. Entre os brasileiros que participam do mercado de trabalho, pouco mais da metade afirma trabalhar até cinco dias por semana. Já uma parcela significativa relata jornadas distribuídas por seis ou até sete dias. Mesmo entre esses trabalhadores, o apoio à mudança permanece elevado.

Quando questionados sobre os possíveis efeitos da redução da jornada, a maioria acredita que a medida teria impacto positivo na qualidade de vida. Em relação às empresas, as opiniões se dividem entre benefícios e possíveis prejuízos. Sobre a economia brasileira como um todo, metade dos entrevistados avalia que a mudança poderia trazer resultados favoráveis.

O levantamento ainda aponta diferenças entre grupos da população. Jovens demonstram maior apoio à redução da jornada, assim como as mulheres, enquanto o entusiasmo tende a diminuir entre entrevistados mais velhos.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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