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Contra tarifaço de Trump, Lula lança pacote de R$ 30 bilhões para socorrer empresas e garantir empregos

O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (13), um pacote de medidas para socorrer o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos, sob articulação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para livrar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, da prisão pela tentativa de golpe de estado. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano. 

“Ninguém larga a mão de ninguém”

O pacote também busca preservar os empregos e ampliar os mercados alternativos para os setores afetados.

Vamos cuidar dos trabalhadores dessas empresas, vamos procurar achar outros mercados para essas empresas. Estamos mandando a outros países a lista das empresas que vendiam para os Estados Unidos porque a gente tem um lema: ninguém larga a mão de ninguém

afirmou Lula. 

De acordo com o presidente, o plano dará prioridade às pequenas e médias empresas e a alimentos perecíveis.

A gente está pensando em ajudar as pequenas empresas, que exportam espinafre, frutas, mel e outras coisas. Empresas de máquinas. As grandes empresas têm mais poder de resistência. Acho que vai ser importante para a gente mostrar que ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump

explicou.

Conflito é político e ideológico

Lula criticou as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.

O Brasil não tinha nenhuma razão para ser taxado e tampouco aceitaremos qualquer pecha de que não respeitamos os direitos humanos 

afirmou, sobre relatório divulgado pelos EUA na terça-feira (12), apontando supostas violações de direitos humanos no Brasil.

O presidente destacou ainda que as sanções de Trump contra o Brasil não têm motivação comercial, mas política.

Estamos em um debate que não é econômico, é um debate político e ideológico. A razão pela qual o presidente americano anuncia punir o Brasil, por causa do ex-presidente (Bolsonaro), se ele conhecesse a verdadeira história estaria dando parabéns à Suprema Corte Brasileira por estar julgando alguém que tratou de bagunçar a democracia brasileira

lembrou.

Brasil não quer brigar com ninguém

Lula disse também que o Brasil não quer brigar com ninguém, e descartou, por enquanto, retaliações aos EUA.

Não estamos anunciando reciprocidade. Não queremos, no primeiro momento, fazer nada que justifique piorar a nossa relação

pontuou o presidente.

Brasil está sendo punido por ser mais democrático que os EUA

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil está sendo sancionado “por ser mais democrático que o agressor”.

Estamos numa situação muito inusitada. O Brasil é um país que está sendo sancionado por ser mais democrático que o seu agressor. É uma situação inédita e muito incomum no mundo. Um país que não persegue adversários, não persegue a imprensa, não persegue escritórios de advocacia, não persegue universidades, não persegue imigrantes legais ou ilegais está sujeito a uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico

criticou.

Vamos enfrentar, como já enfrentamos várias situações difíceis neste país. E vamos superar mais essa dificuldade que é imposta de fora para dentro, mas infelizmente com o apoio de alguns setores radicalizados da sociedade brasileira

completou o ministro.

Veja abaixo os principais pontos do Programa Brasil Soberano:

• R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para concessão de crédito com taxas acessíveis a pequenas e médias empresas;

• O acesso às linhas será condicionado à manutenção do número de empregos pelas empresas beneficiadas;

• Extensão do prazo para pagamento de impostos para empresas afetadas pelo tarifaço;

• Governo comprará produtos de produtores rurais e agroindústrias, autorizando os governos estaduais e municipais a fazerem o mesmo.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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