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Mais de 308 mil meninas sofreram violência sexual no Brasil em 14 anos

(Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil/Arquivo)

O Brasil registrou, entre 2011 e 2024, mais de 308 mil casos de violência sexual contra meninas de até 17 anos, segundo levantamento divulgado nesta semana pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Os dados, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), revelam uma média de 64 vítimas por dia ao longo dos últimos 14 anos e acendem um alerta sobre o avanço desse tipo de crime no país.

Somente em 2024, foram contabilizadas 45.435 notificações, o equivalente a quase 3,8 mil ocorrências por mês. O estudo foi apresentado no contexto do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e reúne informações analisadas pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, Instituto Natura e Associação Gênero e Número.

A pesquisa aponta que a violência sexual contra meninas cresceu 29,35% desde o início da série histórica. A única queda ocorreu em 2020, período marcado pela pandemia da covid-19, cenário que especialistas associam à redução das denúncias e não necessariamente à diminuição dos crimes. Nos anos seguintes, os registros voltaram a subir e atingiram forte aceleração em 2023.

Outro dado que chama atenção é a predominância de vítimas negras. Entre 2011 e 2024, meninas pretas e pardas representaram mais da metade dos casos registrados. Em 2024, elas responderam por 52,3% das notificações.

O levantamento também desmonta a ideia de que os abusos acontecem, na maioria das vezes, fora do ambiente familiar. Pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos aparecem com frequência entre os suspeitos. Em cerca de um terço das ocorrências analisadas, o agressor possuía vínculo direto com a vítima.

Especialistas defendem o fortalecimento das redes de proteção nas áreas da saúde e educação, consideradas fundamentais para identificar sinais de violência ainda na infância.

Dados recentes do Disque 100 mostram que as denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes cresceram quase 50% nos quatro primeiros meses de 2026, reforçando a preocupação com a escalada desses casos no país.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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