A tentativa de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sofreu um revés após a Polícia Federal considerar insuficientas as informações entregues por ele no âmbito da investigação da operação Compliance Zero.
Segundo integrantes da apuração, os relatos apresentados não trouxeram elementos inéditos capazes de justificar benefícios judiciais e ficaram abaixo do que os investigadores esperavam para um acordo de delação.
A avaliação interna da PF é de que Vorcaro omitiu fatos considerados relevantes e não reconheceu integralmente sua participação nas irregularidades investigadas. Os anexos entregues pelo ex-banqueiro teriam deixado de fora informações já identificadas em celulares apreendidos durante as fases da operação.
Desse modo, investigadores apontam que ele tentou relativizar parte das condutas atribuídas a ele, o que contraria as exigências de boa-fé previstas nos acordos de colaboração premiada.
Mesmo diante da resistência da PF, a defesa de Vorcaro ainda tenta manter aberta uma negociação com a Procuradoria-Geral da República. O problema é que a proposta também enfrenta obstáculos dentro da própria PGR.
Um dos pontos mais contestados envolve a devolução de valores. Enquanto o ex-banqueiro propôs ressarcir cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, investigadores e procuradores defendem que o montante ultrapassa R$ 60 bilhões e deve ser devolvido em prazo menor.
As autoridades tratam Vorcaro como peça central do suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao banco. Os prejuízos provocados pela quebra do Master já ultrapassariam R$ 57 bilhões, incluindo os R$ 51,8 bilhões estimados para cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Preso novamente desde março, Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Nos últimos dias, ele foi transferido para uma cela comum. Paralelamente, a investigação avançou sobre pessoas próximas ao ex-banqueiro, incluindo familiares e aliados políticos. A operação também atingiu o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber vantagens indiretas ligadas ao grupo investigado.
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