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Pitty recupera o controle da própria história em novo álbum

Pitty reencontra a força das guitarras em seu sexto álbum solo de estúdio, lançado na sexta-feira (16) pela Deck, nas plataformas digitais, em CD e vinil. Com 13 faixas, o disco que leva seu nome transforma separação, maternidade e autonomia em combustível para retomar referências do punk e elaborar mudanças pessoais.

Produzido pela cantora com Rafael Ramos, o trabalho chega sete anos depois de “Matriz”, que aproximou seu rock das referências baianas. A comparação expõe uma limitação: embora mantenha vigor, o novo repertório investe numa linguagem conhecida e oferece menos surpresas do que a abertura estética proporcionada pelo álbum anterior, o que pode desapontar quem esperava uma maior inovação.

“Sobremesa” apresenta esse caminho com urgência e distorção, enquanto “Não à deriva” acrescenta densidade ao impulso roqueiro. “Desobediente” consegue escapar da previsibilidade ao confrontar o peso das guitarras com elementos orientais, criando contrastes que dão personalidade à faixa e mostram como pequenas alterações podem renovar a assinatura da artista.

A escrita inteiramente autoral sustenta o interesse mesmo quando os arranjos percorrem terrenos familiares, sobretudo em “Álbum de casamento”. No blues-rock sobre uma relação desfeita, a recuperação da autoestima e do controle sobre a própria vida ganha contornos concretos, sem depender de mensagens genéricas de superação para produzir identificação imediata.

É nos andamentos mais contidos, porém, que o disco encontra maior profundidade emocional e permite outras nuances à interpretação. “Caminhada” trata da solidariedade entre mulheres, entregando uma das melhores composições da carreira de Pitty, enquanto “Cuidada” revisita a relação com a mãe pela perspectiva de quem também conhece a maternidade, aproximando conflitos íntimos de experiências compartilhadas por diferentes gerações.

As incursões eletrônicas têm resultados desiguais: “Madame” amplia as possibilidades das guitarras, mas “Pileque de poeta” parece menos integrada ao conjunto, apesar de possuir o seu encanto. Encerrado por “Nó”, o álbum convence mais pela franqueza das composições do que pela renovação musical, registrando uma artista disposta a reorganizar a vida com os recursos que domina.

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