A Polícia Federal ampliou as investigações sobre supostos repasses irregulares envolvendo empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e apontou a existência de uma complexa rede financeira que teria sido utilizada para movimentar recursos de origem suspeita entre o Piauí e o Maranhão.
As apurações, baseadas em relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicam que o esquema teria operado entre 2020 e 2025 por meio de companhias controladas por familiares do parlamentar e pessoas próximas ao grupo econômico.
Segundo os investigadores, as movimentações financeiras identificadas apresentam características compatíveis com ocultação patrimonial e circulação de valores por intermédio de terceiros. A suspeita é de que parte dos recursos tenha sido abastecida por empresas associadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que também é alvo de apurações conduzidas pela PF.
O relatório descreve uma sequência de transferências entre empresas vinculadas aos dois grupos familiares. Entre elas estão a CNLF e a CN Motos, ligadas ao senador, e a BRGD, administrada por parentes de Vorcaro.
Para os investigadores, essas operações teriam servido para inserir recursos no sistema empresarial, misturando valores considerados legítimos com quantias cuja origem permanece sob suspeita. As análises financeiras também identificaram depósitos em espécie, repasses realizados por servidores públicos e transferências atribuídas a pessoas com renda incompatível com os montantes movimentados.
Em alguns casos, os envolvidos recebiam salários modestos ou chegaram a ser beneficiários de programas sociais federais, mas aparecem vinculados a operações de valores elevados, circunstância que despertou a atenção dos órgãos de controle.
A PF ainda aponta que mais de R$ 13 milhões em operações consideradas atípicas foram registrados nos relatórios examinados. Também foram identificadas transações envolvendo agentes públicos e empresas de pequeno porte, que, segundo os investigadores, podem ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.
Até a divulgação das informações, nem o senador Ciro Nogueira nem Daniel Vorcaro haviam se manifestado sobre as conclusões apresentadas pela investigação. O caso segue sob análise das autoridades federais.
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