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Renda cresce no Brasil, mas abismo entre ricos e pobres aumenta

A melhora do emprego, da renda e do acesso à alimentação não foi suficiente para reduzir a concentração de riqueza no Brasil. O relatório de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades mostra que, em 2025, o rendimento do 1% mais rico foi 31,5 vezes superior ao recebido pela metade mais pobre da população.

Produzido em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o levantamento aponta avanço em 71% dos indicadores analisados. Outros 16% pioraram, enquanto 13% permaneceram estáveis, com resultados positivos concentrados no mercado de trabalho, no rendimento médio, no combate à pobreza e na segurança alimentar.

A renda mensal dos brasileiros chegou a R$ 3.376, crescimento real de 5,3% ante 2024, mas os ganhos continuaram distribuídos de forma desigual. Entre os homens, a alta foi de 5,8%, enquanto as mulheres tiveram avanço de 4,8% e receberam, em média, 72,2% da remuneração masculina.

As mulheres negras permaneceram na posição mais desfavorável do mercado, com rendimento médio de R$ 2.184. O valor ficou 57,8% abaixo dos R$ 5.172 registrados entre homens não negros, diferença que, segundo o Observatório, reflete desigualdades raciais e de gênero mantidas historicamente no país.

A concentração também varia entre as regiões. O Sudeste apresentou o maior abismo entre os extremos de renda, enquanto o Centro-Oeste registrou o avanço mais acentuado da desigualdade em um ano; Sul e Nordeste caminharam no sentido contrário.

Na alimentação, a parcela de brasileiros em domicílios com insegurança moderada ou grave recuou de 9,5% para 7,7% entre 2023 e 2024. A melhora, associada à retomada de políticas contra a fome, não alcançou todos da mesma maneira: o problema atingiu 10% das mulheres negras, mais que o dobro do índice entre mulheres não negras, de 4,6%.

O Norte continuou com o pior resultado regional, com taxa de 14,9%, diante de 3,7% no Sul. Entre as crianças indígenas, a desnutrição chegou a 7,3%, indicando que renda, racismo, território e acesso desigual a serviços públicos ainda determinam quem enfrenta a fome no Brasil.

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