Levantamento repercutido pelo UOL na quarta-feira (29), em São Paulo, aponta que mais da metade das brasileiras que já se relacionaram com homens foi vítima de violência cometida por companheiros ou antigos parceiros. O índice representa cerca de 47,7 milhões de mulheres e foi apresentado às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha.
Realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, o estudo ouviu mil mulheres e 500 homens, todos com 16 anos ou mais, entre 22 e 30 de abril, com uma margem de erro de 2,8 pontos percentuais.
Entre as formas de abuso relatadas, a psicológica lidera, alcançando 42% das participantes, enquanto os episódios de violência física foram apontados por 25%, e 19% mencionaram ataques de caráter moral. Casos de violência sexual e patrimonial atingiram, respectivamente, 10% e 9%. Companheiros e ex-companheiros foram identificados como autores das agressões por 88% das entrevistadas.
Entre os homens que tiveram relacionamentos com mulheres, 7% admitiram espontaneamente já ter praticado violência. Quando foram apresentados a exemplos específicos, porém, a proporção subiu para 11%. Vera Vieira, diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, avalia que muitos agressores não identificam determinadas condutas como violentas e procuram justificá-las.
O levantamento também mostra diferenças na reação diante de uma agressão. Diante de uma agressão, sete em cada dez mulheres procurariam as autoridades, reação mencionada por 56% dos homens. Apesar de a Delegacia da Mulher ser conhecida por três em cada quatro brasileiras, o medo ainda dificulta as denúncias. Ao todo, 68% temem represálias, 56% apontam o risco de impunidade e 39% mencionam a demora da Justiça.
A maioria das participantes critica a efetividade da Lei Maria da Penha: 80% afirmam que a norma não é aplicada de maneira satisfatória, enquanto 82% entendem que o texto aprovado em agosto de 2006 não basta para enfrentar a violência contra a mulher.
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