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Brasileiros confiam menos na imprensa do que em mensagens de amigos

(Foto: NQM/Reprodução)

Uma pesquisa nacional inédita revela um cenário de crescente desconfiança em relação à informação no Brasil. Dados do painel TIC Integridade da Informação, divulgado na sexta-feira (10), mostram que 48% dos usuários de internet dizem desconfiar sempre ou na maior parte do tempo de conteúdos produzidos por veículos jornalísticos profissionais. O índice supera o nível de desconfiança atribuído a mensagens recebidas de amigos e familiares em redes sociais (39%) e aplicativos de mensagens (42).

O levantamento foi realizado entre agosto e setembro de 2025, com 5.250 pessoas com 16 anos ou mais, e aponta um comportamento contraditório: embora haja desconfiança generalizada, a verificação das informações ainda é limitada.

Apenas 36% afirmam checar sempre o conteúdo que recebem, enquanto 28% dizem fazer isso na maioria das vezes. Por outro lado, 14% admitem raramente ou nunca verificar a veracidade das informações.

A pesquisa também evidencia uma mudança no consumo de notícias. Aplicativos de mensagens lideram como principal fonte de informação diária, utilizados com frequência por 60% dos entrevistados, seguidos por vídeos curtos (52%) e plataformas de vídeo (50%). Esses percentuais superam os meios tradicionais, como telejornais (45%) e sites de notícias (37%).

O acesso à informação varia conforme renda e escolaridade. Entre as classes mais altas, o consumo de notícias em portais digitais é significativamente maior do que entre as classes de menor renda. Ainda assim, o uso de redes sociais e aplicativos é predominante em todos os grupos.

Outro ponto de destaque é a familiaridade com ferramentas de inteligência artificial: quase metade dos entrevistados já utilizou sistemas como chatbots e assistentes digitais. Ao mesmo tempo, cresce a chamada “fadiga informacional”, especialmente entre jovens, que apresentam menor frequência de consumo diário de notícias.

O estudo também aponta um certo grau de apatia diante da desinformação. Entre os que não costumam checar conteúdos, muitos alegam falta de tempo, desinteresse ou a percepção de que não vale a pena verificar informações em um ambiente considerado excessivamente polarizado.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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