Desde que o debate sobre o fim da escala 6×1 se intensificou, os jornalões porta-vozes dos patrões deflagraram uma campanha feroz contra a mudança.
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Vale desde a velha estratégia do medo (“vai quebrar a economia, demissões, inflação!”), até tentar convencer a população de que, na verdade, os brasileiros são preguiçosos, trabalham pouco e deveriam é trabalhar ainda mais.
Vejamos:
“Brasileiro trabalha menos que a média mundial” – Folha de SP, 21 de fevereiro de 2026
“Fim da 6×1 deve reduzir PIB em 0,82%”, Estadão, 28 de abril de 2026
“No atual nível de desenvolvimento do Brasil, a jornada deveria ser maior, não menor” – O Globo, 26 de abril de 2026
Esse mundo “dos sonhos” da Folha de SP, Estadão, O Globo e seus amigos “faria limers” já existiu. Até outubro de 1988, há 38 anos, a jornada semanal de trabalho no Brasil era de 48 horas, também em escala 6×1.
Ou seja, seis dias de trabalho por semana, de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h ou das 9h às 19h, com um único dia de folga, no domingo. Naquele mês, foi promulgada a Constituição de 1988, que manteve a escala 6 X 1, mas a reduziu de 48 para 44 horas semanais.
Ao contrário do que soam as trombetas do apocalipse dos assessores de imprensa informais do mercado financeiro, a redução da jornada não quebrou o país, nem provocou desemprego, inflação ou perda de renda.
– Em 1988, o PIB anual – soma de todas as riquezas produzidas pelo Brasil – era de US$ 330 bilhões. Corrigido pela inflação estadunidense, seria hoje cerca de US$ 870 bilhões, ou aproximadamente R$ 4,3 trilhões;
– A renda per capta do brasileiro era de US$ 2.300; ou US$ 6.100 em valores (corrigidos) de 2026; R$ 30.622,00 convertido em real;
– O número de pessoas ocupadas era de 55 milhões para uma população total de 144 milhões;
– O país convivia com uma hiperinflação de 629,1% ao ano;
– Menos de quatro décadas após a redução da jornada, a economia brasileira hoje é cerca de 7,6 vezes maior em termos nominais, ou três vezes em termos reais (descontada a inflação) do que a de 1988;
– O PIB é de US$ 2,5 trilhões (R$ 12,7 trilhões);
– A renda per capta dobrou (em termos reais) para US$ 11.500 (R$ 59.687,49);
– O número de brasileiros ocupados é recorde: 103 milhões para uma população de 213 milhões;
– O total de empregados com carteira assinada no setor privado atingiu níveis históricos: quase 39 milhões;
– A inflação dos últimos 12 meses, segundo o IPCA é de 4,37%.
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