A Comissão Pastoral da Terra apresentou, na segunda-feira (27), no Brasil, a nova edição do levantamento anual sobre conflitos agrários, indicando redução no total de ocorrências, mas agravamento da violência no campo. Em 2025, foram contabilizados 1.593 registros, número 28% menor que o de 2024. Apesar disso, o total de assassinatos ligados a disputas rurais saltou de 13 para 26 vítimas, evidenciando um cenário mais crítico nas regiões de conflito.
Os casos fatais se concentraram majoritariamente na Amazônia Legal, com destaque para Pará e Rondônia, que juntos responderam por mais da metade das mortes. O relatório aponta que fazendeiros figuram como os principais envolvidos nesses crimes, concentrando a maior parte das responsabilidades, tanto como executores quanto como mandantes.
Outros indicadores também chamaram atenção pelo crescimento expressivo. As prisões aumentaram, assim como episódios de constrangimento e restrição de liberdade, muitos deles associados a operações policiais em áreas de disputa fundiária. Comunidades tradicionais, povos indígenas e trabalhadores sem terra aparecem entre os mais afetados por essas ações.
No conjunto dos registros, as disputas fundiárias seguem como o principal foco de tensão, concentrando aproximadamente três em cada quatro ocorrências. Na sequência, surgem conflitos ligados às relações de trabalho, embates pelo uso e acesso à água e episódios envolvendo ocupações e retomadas de território. Entre as principais formas de violência registradas estão invasões de território, contaminação por agrotóxicos e ações de grupos armados.
O levantamento registra ainda avanço nas ocorrências de trabalho em condições degradantes, equiparadas à escravidão. Em 2025, foram identificados 159 casos, com quase 2 mil pessoas resgatadas, sobretudo em setores como construção civil, atividades agrícolas e mineração.
Em resposta, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar afirmou que vem reforçando iniciativas para reduzir a intensificação dos conflitos no campo. Segundo a pasta, mais de 600 disputas foram mediadas nos últimos anos, envolvendo cerca de 120 mil famílias, o que ajudou a evitar episódios mais graves. O ministério também anunciou missões prioritárias em estados com maior índice de violência, como Rondônia, além de ações previstas no Maranhão, Pará e Paraná.
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