Pesquisadores contrapõem entidades empresariais sobre “efeitos catastróficos” que seriam causados pelo fim da escala 6×1
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil voltou ao centro do debate em Brasília e tem dividido especialistas sobre seus efeitos na economia. Em análise no Congresso Nacional, propostas que preveem o fim da escala 6×1, seis dias de trabalho para um de descanso, levantam dúvidas sobre impactos no crescimento, nos preços e no emprego, a partir de diferentes premissas adotadas por estudos técnicos.
De um lado, entidades que representam o setor produtivo projetam efeitos negativos relevantes. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada pela Agência Brasil, estima que a mudança de 44 para 40 horas semanais poderia reduzir o Produto Interno Bruto em cerca de 0,7%, com perdas ainda maiores na indústria.
Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula aumento expressivo nos custos da folha de pagamento, o que, segundo essa linha de análise, tende a ser repassado ao consumidor, pressionando a inflação.
Por outro lado, pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam um cenário mais moderado. Os estudos indicam que os custos adicionais seriam limitados e poderiam ser absorvidos pela maioria dos setores, com exceção de pequenas empresas, que poderiam demandar algum tipo de apoio.
Também há projeções de que a redução da jornada estimularia a criação de vagas e, em determinados contextos, até ampliaria a atividade econômica.
A divergência entre os resultados está ligada às hipóteses adotadas nos modelos. Parte dos estudos considera que menos horas trabalhadas implicariam queda automática na produção, enquanto outros levam em conta ajustes do mercado, como contratação de novos profissionais, reorganização de processos e possíveis ganhos de produtividade.
Outro ponto de disputa envolve a inflação. Enquanto representantes da indústria avaliam que o aumento do custo do trabalho tende a encarecer produtos, pesquisadores argumentam que o impacto seria marginal e poderia ser compensado por redução de margens ou maior eficiência.
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