A possibilidade de a produtora responsável pelo filme “Dark Horse” ser multada pela Agência Nacional do Cinema abriu um novo flanco na crise que envolve a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro e os bastidores da cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação da Ancine, tornada pública nesta semana, coloca sob suspeita não apenas a regularidade das filmagens feitas em São Paulo no ano passado, mas também a falta de transparência em torno da produção e do financiamento do longa, previsto para estrear em setembro.
O caso ganhou dimensão porque a agência afirma não ter recebido a documentação obrigatória para gravações de produções estrangeiras em território brasileiro. A legislação exige que empresas registradas assumam formalmente a responsabilidade pelas filmagens e comuniquem detalhes técnicos e contratuais do projeto.
Segundo o procedimento aberto pela Ancine, a produtora Go Up Entertainment ignorou notificações enviadas ainda no início do ano e permaneceu sem prestar esclarecimentos, mesmo após a ampla divulgação das gravações na imprensa.
O episódio expõe uma combinação delicada entre política, audiovisual e financiamento privado em pleno ambiente pré-eleitoral.
O trailer divulgado recentemente reforçou a percepção das autoridades de que o filme se enquadra como produção estrangeira realizada no Brasil, sobretudo pelo elenco internacional liderado pelo ator Jim Caviezel e pelos diálogos em inglês.
A presença da marca da Go Up nos materiais promocionais também aumentou a pressão sobre a empresa.
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