Mesmo após a Polícia Federal rejeitar a proposta de delação de Daniel Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República decidiu manter abertas as negociações envolvendo o dono do Banco Master.
A avaliação dentro da PGR é de que acordos dessa magnitude não costumam ser encerrados após uma primeira negativa e exigem um processo lento, baseado em novas provas, cruzamento de informações e aprofundamento das investigações.
A decisão evidencia que, embora a PF tenha considerado frágeis os elementos apresentados até agora, o Ministério Público ainda prefere aguardar novos movimentos da defesa antes de bater o martelo sobre uma possível colaboração.
O entendimento é de que casos complexos dependem de uma reconstrução detalhada dos episódios investigados, além da apresentação de documentos, mensagens e outros materiais que sustentem os relatos feitos pelo investigado.
Na quarta-feira (20), a Polícia Federal descartou o acordo ao concluir que as informações entregues por Vorcaro não acrescentavam fatos relevantes às apurações já conduzidas pela operação Compliance Zero. A percepção entre investigadores é de que os anexos apresentados repetiam conteúdos já conhecidos e não ofereciam elementos capazes de ampliar significativamente a investigação.
Apesar disso, a defesa do ex-banqueiro ainda tenta reorganizar estratégias para apresentar novos materiais tanto à PGR quanto à própria PF. Formalmente, ainda existe espaço para uma nova tentativa de colaboração. Nos bastidores, porém, integrantes ligados ao caso enxergam poucas chances de reversão diante da avaliação negativa feita pela corporação.
Outro fator que pesa contra Vorcaro é a suspeita de que informações localizadas nos celulares apreendidos durante a investigação não teriam sido integralmente mencionadas na proposta entregue às autoridades. Esse ponto aumentou a desconfiança sobre a efetiva disposição do ex-banqueiro em apresentar uma colaboração ampla e consistente.
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