A dificuldade de acesso a produtos de higiene menstrual ainda afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, transformando um processo natural do corpo em um problema social, educacional e de saúde pública. A chamada pobreza menstrual envolve desde a falta de absorventes até a ausência de informação adequada e condições básicas de higiene, cenário que impacta diretamente a rotina de crianças, adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade.
Em muitos casos, estudantes deixam de frequentar a escola durante o período menstrual por não conseguirem lidar com o fluxo de maneira segura e digna. A consequência vai além das faltas em sala de aula: especialistas alertam que a evasão escolar e as dificuldades no aprendizado podem comprometer oportunidades profissionais no futuro.
Em situações mais extremas, pessoas recorrem a materiais improvisados para conter o sangramento, prática que aumenta os riscos de infecções e outros problemas ligados à saúde íntima e reprodutiva.
Além dos impactos sociais, o tema também levanta preocupação ambiental. Absorventes descartáveis tradicionais, produzidos principalmente com plástico derivado do petróleo, podem permanecer na natureza por séculos até se decompor completamente. O descarte inadequado desses materiais em vasos sanitários ainda provoca entupimentos frequentes e sobrecarga nos sistemas de esgoto.
Estimativas apontam que, caso todas as brasileiras utilizassem apenas absorventes convencionais, bilhões de unidades seriam descartadas anualmente. Diante desse cenário, alternativas sustentáveis começam a ganhar espaço no mercado. Entre elas estão coletores menstruais, calcinhas absorventes e absorventes reutilizáveis de pano, opções consideradas mais duráveis e com menor geração de resíduos.
Empresas também têm investido em absorventes biodegradáveis feitos com bambu, algodão orgânico e fibras vegetais, capazes de se decompor em poucos meses. No exterior, algumas marcas já apostam em modelos que podem ser descartados diretamente no vaso sanitário sem causar danos ambientais.
Apesar dos avanços, o preço ainda limita o acesso de parte da população a essas soluções. Especialistas defendem que ampliar as opções disponíveis e garantir políticas públicas de acesso à higiene menstrual são passos fundamentais para reduzir desigualdades sociais e ambientais.
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