O Pantanal atravessa uma das fases mais delicadas de sua história recente. Dados divulgados na segunda-feira (17) pelo MapBiomas mostram que o bioma encerrou 2025 com um volume de água muito abaixo do padrão registrado ao longo das últimas décadas, acendendo um alerta para os impactos ambientais na maior planície alagável do planeta.
Segundo o levantamento, a área coberta por água no Pantanal ficou 56% inferior à média histórica. O cenário foi acompanhado por uma forte redução hídrica na bacia do Rio Paraguai, que apresentou a maior queda entre todas as regiões hidrográficas do país. A perda acumulada chegou a centenas de milhares de hectares em comparação com os níveis considerados normais.
Os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso concentraram os maiores déficits de superfície alagada do Brasil. Juntos, eles responderam pelas perdas mais expressivas identificadas no estudo, refletindo uma situação que vem se agravando nos últimos anos.
O relatório destaca que o Pantanal foi o único bioma brasileiro a permanecer abaixo da média histórica de água durante todos os meses de 2025. Além disso, a região não registrou uma cheia significativa ao longo do ano, fenômeno essencial para a renovação dos ecossistemas, a reprodução de espécies e a manutenção da biodiversidade local.
A pesquisa também aponta que a transformação da paisagem ocorre paralelamente à redução dos recursos hídricos. O avanço das atividades agropecuárias continua sendo o principal fator associado à supressão da vegetação nativa. Embora o desmatamento tenha diminuído em relação ao ano anterior, milhares de hectares de cobertura natural ainda foram convertidos ao longo de 2025.
Outro dado que chama atenção é que praticamente toda a extensão do Pantanal apresenta tendência de redução da superfície de água desde 1985. O percentual supera 97% da área do bioma, o maior índice entre todos os ecossistemas brasileiros monitorados pelo estudo.
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