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Caetano, Djavan, Arnaldo Antunes e Sophie Charlotte se unem em novo EP de Wisnik

(Foto: Divulgação)

O cancioneiro de José Miguel Wisnik ganha releituras de cinco intérpretes de diferentes gerações no EP “Mais Simples”, lançado em 10 de abril ns plataformas digitais pela Circus Produções. Com direção artística de Wisnik, o disco reúne canções essenciais de seu repertório cantadas por Caetano Veloso, Djavan, Renato Braz, Arnaldo Antunes e Sophie Charlotte.

O nome do projeto assume o registro de Caetano como o ponto de partida da revisão de cinco músicas. Wisnik e Caetano pensaram em traduzir, com poucos elementos, a poética de “Mais Simples”. No estúdio de sua casa, no Rio, o tropicalista foi acompanhado pelo violão de seu filho, Tom Veloso, com a produção musical de Lucas Nunes.

Antes de Caetano, a composição foi gravada por Wisnik e Ná Ozzetti no álbum de estreia “José Miguel Wisnik” (Camerati, 1993). Depois, em 1996, por Zizi Possi.

Além de aprofundar um diálogo artístico fundamental na trajetória de Wisnik, a nova gravação de “Mais Simples” representa o encontro de Caetano com uma música que quase entrou em seu repertório de shows na década de 1990.

“Muito bom poder ter gravado ‘Mais simples’. Uma canção que adoro desde que ouvi pela primeira vez, uma canção única. O violão de Tom me deslumbrou. Ele nem sabe quanto. Acho que isso aconteceu porque Zé Miguel é um santo da música”, declarou Caetano.

“Quase aconteceu há muitos anos, mas a gravação veio afinal quando tinha que ser: Caetano cantando ‘Mais simples’. Por uma conjunção, difícil de resumir, de desejos, de pessoas e dos astros”, conta Wisnik, que a situa como o primeiro passo do EP.

“Fico sem palavras ao ouvir essa interpretação, mas confesso que não sinto necessidade delas. Pois foi o próprio indizível que compareceu, e disse tudo. Agradeço profundamente a Caetano e a Tom Veloso por terem extraído juntos o sumo essencial dessa canção”.

Desse núcleo, o EP se expande para Djavan, com “Pérolas aos Poucos” (Wisnik/Paulo Neves), Renato Braz, com “Se Meu Mundo Cair”, Sophie Charlotte e João Camarero, com “Cacilda”, e Arnaldo Antunes, com “Átimo de Som” (parceria de ambos).

O piano de Wisnik está presente nas faixas de Braz e Arnaldo. Dessa forma, o compositor comparece em termos essenciais à revisão de sua obra.

“Quando acompanhei Renato Braz ao piano em ‘Se Meu Mundo Cair’, num evento em memória de Zé Celso, senti o chão tremer. Passo a passo, ele levou a canção às alturas. Me impressiona que faça isso com muita naturalidade e simplicidade, como se fosse normal. Ele atinge a pungência sem nenhum esforço, e essa é uma das coisas que me impressionam nele. É um cantor especial. Vai ao sublime como se fosse até a esquina”, diz Wisnik.

Arnaldo foi convidado a gravar uma parceria pensada para a voz de uma cantora referencial.

“‘Átimo de som’ foi feita para Gal Costa. Arnaldo escreveu a letra inspirado por ela e ela adorou, me disse que correspondia a tudo que ela mais desejava cantar. Mas a canção também diz muito do próprio Arnaldo, não só o poeta mas o cantor: essas pessoas raras que têm um mistério no grão da voz, alguma coisa poderosa que nada explica. Foi uma alegria imensa poder gravar essa nossa parceria com ele, contando com Marina Wisnik nos vocais e Gui Kastrup nas preciosas percussões”, afirma o compositor.

Por sua vez, a atriz Sophie Charlotte escolheu a canção “Cacilda”, originalmente composta para a trilha da peça “Cacilda!” (1998), sobre a vida da atriz Cacilda Becker, do autor e diretor José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. Charlotte é a protagonista (Gerluce) da novela das nove “Três Graças”, de Aguinaldo Silva, da Rede Globo.

As gravações anteriores de “Cacilda” são de Maria Bethânia, que a cantou a pedido de José Celso, da também atriz e cantora Mariana de Moraes e do próprio Wisnik.

“Foi uma surpresa maravilhosa ouvir Sophie Charlotte cantar ‘Cacilda’, como atriz-cantora e cantora-atriz que é. Mais ainda: ela declarar que se entregou à canção expondo-se ao risco do desconhecido, a ponto de ouvir a sua própria (e bela) voz como a voz de uma outra, uma estranha íntima, o que tem tudo a ver com a canção”, diz Wisnik.

A gravação de Djavan é a única preexistente. Vinte anos depois, o registro ao vivo de “Pérolas aos Poucos” foi recuperado para o projeto musical. O artista alagoano ficou contente com a descoberta e aceitou o convite para integrar o disco.

Em 2005, Djavan surpreendeu com a inclusão de “Perólas aos Poucos” no repertório de sua turnê no Brasil, na França e em Portugal. No palco, acompanhado pelo piano de Renato Fonseca, o cantor revelou que o álbum homônimo de Wisnik, lançado em 2003, estivera entre os seus favoritos no ano anterior.

“Era lindo aquele momento solo em que, entre tantos hits maravilhosos cantados com banda, Djavan jogava essas pérolas aos poucos aos muitos que o ouviam, acompanhado apenas de um teclado”, lembra Wisnik. “Faz pouco tempo descobrimos uma gravação ao vivo dessa interpretação, uma verdadeira dádiva que recebemos de sua própria equipe técnica por ocasião do show. É maravilhosa”.

Com a produção de Guto Ruocco, da CIRCUS, o EP tem capa assinada pela designer Elaine Ramos a partir da obra “Marujo” (2021) de Marina Rheingantz.

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Redação BFC

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