Skip to content Skip to footer

Consumo de álcool aparece em cerca de 70 casos diários de violência doméstica em SP

(Foto: Reprodução)

Um levantamento inédito baseado em registros da Polícia Civil aponta a dimensão da relação entre consumo de álcool e violência doméstica em São Paulo. Entre 2023 e 2024, foram contabilizadas 50.805 ocorrências em que havia indícios de ingestão de bebida alcoólica, o que representa uma média de cerca de 70 casos por dia.

A análise, conduzida pelo Instituto Sou da Paz em parceria com a ACT Promoção da Saúde, utilizou dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e reforça uma associação já conhecida na área da saúde pública: o álcool tende a intensificar episódios de agressão e aumentar a gravidade das ocorrências.

Do total de registros, mais da metade foi classificada como violência doméstica. As ocorrências de lesão corporal aparecem logo em seguida, enquanto casos de estupro, feminicídio e outras categorias representam parcelas menores, mas igualmente preocupantes.

Em relação aos feminicídios, foram identificados 467 casos no período, sendo que cerca de um terço deles apresentava ligação com o uso de álcool.

O perfil dos envolvidos revela um padrão consistente. As vítimas são majoritariamente mulheres, cerca de 93%, enquanto os agressores são, em sua maioria, homens. Em grande parte das situações, trata-se de conflitos entre parceiros ou pessoas com vínculo íntimo. A faixa etária predominante, tanto de vítimas quanto de autores, vai dos 27 aos 44 anos.

Os dados também mostram que a violência se concentra em momentos específicos. Fins de semana concentram mais de 40% das ocorrências, com destaque para o domingo, sendo que o período noturno lidera os registros, seguido pela madrugada. Juntos, esses horários somam mais da metade dos casos.

A residência aparece como principal cenário das agressões, concentrando cerca de três em cada quatro ocorrências. Para especialistas, esse dado evidencia como a violência ainda permanece, em grande medida, invisível, restrita ao ambiente privado.

Pesquisadores defendem que os resultados devem orientar políticas públicas mais eficazes, incluindo restrições ao consumo abusivo de álcool, ampliação do atendimento às vítimas em horários críticos e integração entre áreas como saúde, segurança e assistência social.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

18 jun 2026

Operação da PF atinge Jaques Wagner e investiga apartamento de R$ 2,5 milhões

Investigação da Polícia Federal mira repasses financeiros ligados ao Banco Master e imóvel de R$ 2,5 milhões em Salvador
12 jun 2026

Gleisi garante estar pronta para enfrentar o bolsonarismo no berço da “Lava Jato”

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado, deputada promete questionar o que Moro e sua turma fizeram pelo Paraná e o País desde que entraram no jogo político

STJ rejeita recurso da Assembleia do Paraná e mantém suspensão de processo de cassação de Renato Freitas

Defesa diz que processo tem caráter de perseguição política, institucional e racista
18 jun 2026

Água desaparece e Pantanal entra em estado crítico, aponta estudo

Dados do MapBiomas revelam que o bioma encerrou o ano muito abaixo da média histórica, sem registrar cheias significativas
18 jun 2026

Acuado por suspeita de ter recebido US$ 30 mi do Master, Alcolumbre faz ameaças

Segundo a Veja, dinheiro teria sido depositado em uma conta secreta no exterior

Casos de violência contra idosos no RJ disparam 24% em apenas um ano

Dados do Ministério Público revelam que as ocorrências saltaram de 2.386 para 2.967 em apenas um ano; mulheres são as principais vítimas
18 jun 2026

Bets tiram jovens das faculdades e preocupam especialistas

Impulsionados pela publicidade massiva, estudantes enfrentam prejuízos financeiros e acadêmicos; especialistas cobram regulação e apoio psicológico

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário