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Delação de Beto Louco chega ao MP e pode atingir autoridades de SP

(Imagem: Polícia Civil/Reprodução)

O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, concluiu a entrega de documentos ao Ministério Público de São Paulo como parte de uma proposta de colaboração premiada relacionada à investigação de um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. A iniciativa ocorre meses após a deflagração da operação Carbono Oculto, que apura a atuação de grupos criminosos em setores formais da economia.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o material encaminhado inclui não apenas um detalhamento preliminar das acusações, mas também elementos considerados relevantes para sustentar os relatos, como registros e aparelhos celulares utilizados pelo empresário.

A expectativa é que esses dispositivos ajudem a confirmar as práticas descritas, que envolveriam desde sonegação até a participação de agentes públicos no esquema.

A negociação atual ocorre apenas na esfera estadual e, conforme indicado, não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília. Em uma tentativa anterior, apresentada à Procuradoria-Geral da República, a proposta foi rejeitada. Na ocasião, o conteúdo mencionava nomes do cenário político nacional, o que acabou não avançando.

Apontado como foragido, Leme passou as últimas semanas em articulação com sua defesa para estruturar os anexos da colaboração, etapa inicial que antecipa os possíveis desdobramentos do acordo.

Um dos pontos mais sensíveis da negociação, segundo fontes próximas, foi o compromisso assumido de devolver valores significativos aos cofres públicos, medida considerada decisiva para viabilizar o andamento do processo.

A operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025, investiga a infiltração de organizações criminosas em atividades como postos de combustíveis, padarias e empresas financeiras. A eventual homologação da delação poderá ampliar o alcance das apurações e trazer novos desdobramentos.

A decisão sobre a aceitação do acordo caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, responsável por avaliar os termos apresentados e os benefícios potenciais para o interesse público.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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