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Deputada que usou blackface recebeu verba destinada a candidatos negros

(Foto: Alesp/Reprodução)

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) passou a concentrar uma série de questionamentos simultâneos após episódios recentes envolvendo sua atuação política e dados de sua campanha eleitoral de 2022. No centro das controvérsias estão o uso de recursos públicos destinados a candidaturas negras e um discurso no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que gerou reações políticas e jurídicas.

Registros da Justiça Eleitoral indicam que Fabiana recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) após se autodeclarar parda na disputa por uma vaga na Alesp. Em eleições anteriores, porém, a parlamentar havia se identificado como branca.

A mudança também aparece em documentos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral e passou a ser questionada por adversários políticos, que apontam possível uso indevido das regras de distribuição de recursos para candidatos negros.

A situação se agravou após um discurso feito na tribuna, no qual a deputada pintou o rosto durante sua fala. A encenação foi interpretada por parlamentares e entidades como prática associada ao blackface, historicamente vinculada à ridicularização de pessoas negras.

O episódio motivou a abertura de uma representação no Conselho de Ética da Alesp, assinada por 18 deputados, que pedem investigação por quebra de decoro e eventual punição que pode chegar à perda do mandato.

Além disso, o caso também foi levado ao Ministério Público Federal, com pedidos de apuração por racismo, transfobia e possível fraude eleitoral.

A deputada Monica Seixas (PSOL-SP) sustenta que a alteração na autodeclaração racial teria sido utilizada como estratégia para ampliar o acesso a recursos públicos, tese que também envolve o deputado federal Adilson Barroso (PL-SP), pai de Fabiana, que teria adotado procedimento semelhante na mesma eleição.

A defesa da parlamentar afirma que o registro racial foi feito pelo partido e validado pela Justiça Eleitoral, destacando ainda sua ascendência familiar. Fabiana também nega ter cometido racismo e sustenta que seu discurso teve caráter político. O caso segue sob análise de diferentes instâncias e pode ter desdobramentos tanto na esfera eleitoral quanto disciplinar.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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