Documentos publicados na terça-feira (09) pelo Intercept Brasil comprovam os repasses milionários do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, desmontando as versões do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados de que não haveriam provas materiais da relação entre o banqueiro e o financiamento da produção.
A reportagem traz cópias de planilhas, contratos e comprovantes bancários que detalham as transferências feitas por Vorcaro e seu grupo para fundos de investimento que alimentaram a cinebiografia. Entre os documentos estão uma planilha intitulada “Funding Schedule”, que discrimina o fluxo de aportes financeiros previstos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Ela previa 14 repasses, sendo os dois primeiros de US$ 2 milhões de dólares cada, que deveriam acontecer nos dias 20 e 25 de janeiro de 2025, mas só foram realmente pagos em 13 de fevereiro e em 24 de março. As outras 12 parcelas de US$ 1,66 milhão cada estavam fixadas, mas foram pagas uma em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio, totalizando US$ 10,6 milhões ou R$ 61 milhões.
Mensagens mostram a articulação de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, para operacionalizar e cobrar esses repasses. Em 12 de março de 2025, Vorcaro encaminha a Zettel, operador financeiro do esquema, cópia da planilha que detalha os repasses com a mensagem: “precisa me ajudar controlar isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.
A reportagem revela um comprovante bancário internacional datado de 13 de fevereiro de 2025. O documento registra a transferência de US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Para contornar obstáculos burocráticos, os envolvidos utilizaram a estrutura da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda como remetente oficial da primeira transferência milionária ao exterior.
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