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Irmãs Gelli estreiam em SP com obras que mudam diante do público

(Foto: Divulgação)

A cena artística paulistana recebe a primeira exposição individual das artistas cariocas conhecidas como Irmãs Gelli. A mostra, intitulada “Leva tempo, mas vai dar tempo”, ocupa a Casa Seva, nos Jardins, e reúne cerca de 20 trabalhos inéditos. Com entrada gratuita, a exposição segue aberta ao público até 18 de abril de 2026.

Formada por Alice e Gabi Gelli, a dupla desenvolve há anos uma pesquisa voltada à relação entre tempo, matéria e experiência sensorial. A nova exposição marca um momento de consolidação dessa trajetória, trazendo obras que exploram não apenas o resultado final, mas também o processo de criação como parte essencial do trabalho artístico.

Grande parte das peças é construída a partir de cera vegetal, material que se tornou central na produção das artistas. O método envolve sucessivas imersões e camadas, exigindo tempo, repetição e atenção aos limites do próprio material. Esse processo resulta em estruturas translúcidas que evocam profundidade e transformação contínua, aproximando arte e fenômenos naturais.

Entre os destaques está uma instalação performática de grande escala, produzida ao longo do período expositivo. Inspirada em formações geológicas como estalactites e estalagmites, a obra será construída diante do público, que poderá acompanhar sua evolução em tempo real.

A proposta reforça a ideia de que a obra permanece em constante mudança, influenciada pela ação do tempo e pela presença dos visitantes.

Outro elemento que chama atenção são as peças cinéticas, pensadas para interação direta. Ao incentivar o toque e a circulação pelo espaço, as artistas buscam romper a distância tradicional entre público e obra, criando uma experiência mais imersiva e corporal.

A sustentabilidade também atravessa toda a produção. Materiais reciclados e reutilizáveis, como plásticos reaproveitados e madeira de demolição, são incorporados ao processo criativo, alinhando discurso e prática em uma proposta que une arte, consciência ambiental e experimentação contínua.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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