A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (15), o cantor MC Ryan SP, apontado como líder de um esquema de lavagem de dinheiro que teria como uma das principais fontes o tráfico de cocaína. A ação faz parte da Operação Narco Fluxo, que investiga a atuação de uma rede criminosa com alcance nacional e forte movimentação financeira.
Segundo a apuração, o grupo utilizava empresas ligadas ao setor musical e a exposição nas redes sociais para dar aparência legal a recursos de origem ilícita. Além do tráfico de drogas, também entram no radar das autoridades receitas provenientes de apostas clandestinas e rifas digitais.
Há ainda indícios de ligação estrutural com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que reforça a suspeita de atuação coordenada com o crime organizado.
A operação mobiliza mais de 200 policiais federais, responsáveis pelo cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos e estão sendo executadas em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná e no Distrito Federal. Outros investigados ligados ao meio artístico e digital também foram detidos.
Como parte das medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 alvos, entre pessoas físicas e empresas. O valor estimado considera lucros associados ao tráfico internacional de cocaína, com volume superior a três toneladas, além das movimentações financeiras identificadas em relatórios de inteligência.
As investigações indicam que, após a ocultação da origem dos recursos, o dinheiro era direcionado à compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e outros ativos, numa tentativa de reinserção na economia formal. Também há suspeitas de uso de terceiros para esconder patrimônio e reduzir riscos de exposição.
O caso segue em apuração, e os envolvidos podem responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.
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