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PF apura ligação entre dinheiro público e filme sobre Bolsonaro

(Imagem: Reprodução)

Deputados estaduais de São Paulo direcionaram ao menos R$ 700 mil em emendas parlamentares para entidades e empresas ligadas à produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro. Os repasses, feitos entre 2023 e 2026, ganharam repercussão após novas revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal.

O caso voltou ao centro do debate político depois que mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil apontaram que Flávio procurou Vorcaro para buscar recursos destinados à produção cinematográfica. A investigação da PF tenta identificar se parte do dinheiro teria sido movimentada por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos, chamado Havengate.

Os investigadores também apuram suspeitas de que os recursos possam ter sido utilizados em despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.

No centro da rede de entidades aparece Karina Gama, responsável pela produtora Go Up e também ligada ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC). As organizações receberam verbas públicas por diferentes vias, incluindo emendas estaduais, federais e contratos públicos.

Na Assembleia Legislativa paulista, parlamentares ligados ao bolsonarismo aparecem entre os autores dos repasses. Valéria Bolsonaro enviou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil em 2023. Já Lucas Bove reservou R$ 213 mil para um projeto esportivo da entidade, mas o valor acabou bloqueado por pendências técnicas. Outro aporte partiu de Gil Diniz, que destinou R$ 200 mil para uma série documental produzida pela ANC.

O levantamento também mostra que o instituto ligado a Karina mantém um contrato de mais de R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo para oferta de internet gratuita em comunidades vulneráveis. Além disso, entidades associadas ao grupo receberam milhões em emendas federais de parlamentares do PL, ampliando o alcance da investigação sobre o uso de recursos públicos em projetos culturais relacionados ao entorno político bolsonarista.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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