Skip to content Skip to footer

Prisão, inelegibilidade e futuro político: entenda a situação de Bolsonaro

(Foto: Cristiano Mariz/O Globo)

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no processo sobre a tentativa de golpe. A Primeira Turma fixou para Bolsonaro uma condenação de 27 anos e três meses de prisão, a mais alta entre os envolvidos.

Especialistas em direito penal explicam que, apesar da condenação em regime fechado, ele não precisará cumprir todo o período na cadeia. Isso porque a legislação brasileira prevê a chamada progressão de regime: o preso inicia no regime fechado, pode avançar para o semiaberto, quando é permitido trabalhar fora durante o dia e, mais tarde, para o aberto, que pode ser cumprido em casa.

No caso de Bolsonaro, a pena em regime fechado foi estabelecida em 24 anos e nove meses. A lei exige que, para crimes cometidos com grave ameaça, o condenado cumpra pelo menos 25% da pena antes de solicitar a progressão. Na prática, Bolsonaro teria de ficar pouco mais de seis anos em prisão fechada antes de ter direito a condições mais brandas.

Ainda assim, a defesa pode tentar garantir prisão domiciliar. A legislação não prevê esse tipo de condenação diretamente, mas o STF já aplicou a medida em casos excepcionais, como para réus com mais de 70 anos ou problemas graves de saúde, pontos que os advogados do ex-presidente já indicaram que vão levar à análise da Corte. O caso de Fernando Collor, que foi autorizado a cumprir a pena em casa após um curto período no presídio, serve de precedente.

Outro fator que impactou a sentença foi a idade de Bolsonaro. Como ele tem mais de 70 anos, sua pena foi reduzida em um sexto, conforme prevê o Código Penal. Por outro lado, os ministros consideraram o ex-presidente como líder da organização criminosa, o que resultou em aumento da pena.

Quanto à inelegibilidade, a situação segue indefinida. Pela regra atual da Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro ficaria impedido de disputar eleições por oito anos após cumprir a pena, o que poderia se estender até 2060. Contudo, uma mudança aprovada recentemente no Congresso, e que aguarda sanção do presidente Lula, prevê que o prazo máximo de inelegibilidade seja de oito anos a partir da condenação. Nesse cenário, Bolsonaro poderia voltar a concorrer apenas em 2033.

O cumprimento efetivo das penas só começa após o trânsito em julgado, isto é, quando todos os recursos se esgotarem. As defesas têm cinco dias para apresentar embargos de declaração, recurso que busca esclarecer eventuais contradições nos votos. A expectativa é que o STF analise esses pedidos até o próximo mês.

Além de Bolsonaro, os outros sete condenados também aguardam a definição sobre como e onde começarão a cumprir as sentenças. No caso de militares, como Mauro Cid, condenado a dois anos, caberá ao Superior Tribunal Militar decidir se haverá perda de patente, medida aplicada apenas para penas superiores a dois anos.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

15 jun 2026

Lula amplia vantagem em todos os cenários, mostra pesquisa BTG/Nexus

Além de liderar contra Flávio Bolsonaro, atual presidente abre vantagem contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos
12 jun 2026

Gleisi garante estar pronta para enfrentar o bolsonarismo no berço da “Lava Jato”

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado, deputada promete questionar o que Moro e sua turma fizeram pelo Paraná e o País desde que entraram no jogo político
15 jun 2026

Idoso de 69 anos é espancado e quase morto por bolsonaristas no RJ por usar adesivo do PT

Segundo Mauro, ele só não foi morto porque um homem não identificado que passava no local se postou entre ele e os agressores
15 jun 2026

Câmara vota criminalização da misoginia esta semana

Projeto equipara o delito aos crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo
15 jun 2026

“Caixa-preta”: após mais de um mês, Flávio Bolsonaro ainda não explicou para onde foi dinheiro que Vorcaro deu para filme

Perícia contratada por produtora de longa não faz menção aos repasses do ex-dono do Banco Master
15 jun 2026

TJ derruba benefício e família de Cláudio Castro fica sem escolta oficial

Estrutura suspensa custava cerca de R$ 900 mil mensais aos cofres públicos; decisão atinge ex-primeira-dama e filhos
15 jun 2026

Governo tenta barrar, mas Senado dá sinal verde para gastos bilionários

Apesar da ofensiva do Palácio do Planalto, senadores deram aval a projetos que afetam as contas públicas; renegociação de dívidas rurais lidera os gastos

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário