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Escândalos bilionários puxam Brasil para baixo em índice mundial de corrupção

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O Brasil voltou a figurar entre os países com pior desempenho no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional. Na edição de 2025, o país aparece na 107ª colocação entre 182 nações e territórios avaliados, com 35 pontos em uma escala que vai de zero a cem.

Trata-se da segunda pior pontuação brasileira desde o início da série histórica do levantamento, sinalizando um quadro persistente de fragilidade institucional. Apesar de um avanço numérico em relação ao ano anterior, quando o país havia registrado 34 pontos, a variação é considerada irrelevante do ponto de vista estatístico.

Na prática, o resultado indica estagnação e mantém o Brasil bem abaixo da média global e também da média das Américas, ambas fixadas em 42 pontos. No ranking, quanto menor a pontuação, maior é a percepção de corrupção no setor público.

O relatório chama atenção para o aprofundamento da influência do crime organizado dentro do Estado e para o aliciamento de agentes públicos, fenômenos que, segundo a entidade, ficaram evidentes em sucessivos escândalos recentes.

Entre eles estão casos de grande repercussão envolvendo o sistema financeiro, desvios de emendas parlamentares, fraudes em licitações e esquemas de lavagem de dinheiro ligados a contratos públicos, com ramificações em diferentes regiões do país.

Outro ponto destacado é o esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários, considerado o maior já identificado na área.

As investigações revelaram falhas estruturais na governança do INSS e impactos diretos sobre centenas de milhares de aposentados e pensionistas, além de um crescimento expressivo na arrecadação de entidades envolvidas, acompanhada por uma enxurrada de ações judiciais.

Na comparação internacional, o Brasil aparece próximo de países como Sri Lanka e atrás de vizinhos e nações em situação de conflito. No topo do ranking estão Dinamarca, Finlândia e Cingapura, enquanto Somália e Sudão do Sul ocupam as últimas posições.

O diagnóstico da Transparência Internacional aponta que, além dos efeitos econômicos, a corrupção segue corroendo a confiança pública e a própria qualidade da democracia brasileira.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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