A produção de combustível sustentável para aviação (SAF) pode colocar o Brasil em posição de destaque no cenário energético mundial nas próximas décadas. A avaliação foi apresentada durante a Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), realizada no Rio de Janeiro, onde especialistas apontaram o país como um dos mais preparados para atender à crescente demanda global por alternativas menos poluentes para o setor aéreo.
A projeção ocorre em um momento em que a aviação busca reduzir drasticamente sua emissão de gases de efeito estufa. Para alcançar a meta de neutralidade de carbono até 2050, as companhias aéreas precisarão ampliar significativamente o uso de combustíveis renováveis.
Nesse contexto, o Brasil surge como um dos principais candidatos a liderar essa transformação graças à combinação de abundância de biomassa, tradição na produção de biocombustíveis e uma matriz elétrica predominantemente limpa.
Segundo estimativas apresentadas pela entidade, o potencial brasileiro de biomassa pode atingir cerca de 180 milhões de toneladas até meados do século, volume capaz de gerar aproximadamente 60 milhões de toneladas de SAF.
Para os próximos anos, a expectativa também é otimista. Até 2030, matérias-primas como etanol de origem sustentável e óleos vegetais e residuais poderiam sustentar uma produção equivalente a 12 milhões de toneladas do combustível.
Atualmente, cerca de 15 projetos relacionados ao SAF estão em desenvolvimento no país. Caso todos avancem conforme o planejado, a produção nacional poderá ganhar aproximadamente 2 milhões de toneladas adicionais, fortalecendo um mercado que ainda dá seus primeiros passos.
Além do potencial ambiental, a expansão da cadeia produtiva é vista como oportunidade para impulsionar empregos, estimular novos investimentos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
A IATA destaca, porém, que o avanço do setor dependerá da ampliação da infraestrutura, de incentivos adequados e da adoção de políticas públicas alinhadas aos padrões internacionais de sustentabilidade, condição considerada essencial para que o Brasil transforme suas vantagens naturais em liderança global no segmento.
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