O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, tornou-se o centro de um episódio que tem gerado críticas internacionais às políticas migratórias dos Estados Unidos. Impedido de entrar no país para atuar na Copa do Mundo de 2026, ele acabou deportado mesmo apresentando documentação considerada regular.
Artan desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami na última sexta-feira (5), portando visto e passaporte diplomático. Ainda assim, foi submetido a 11 horas de interrogatório pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), posteriormente levado a uma cela de retenção e, em seguida, deportado para Istambul, na Turquia.
Em entrevista ao jornal The New York Times, o árbitro lamentou o ocorrido.
“Estou muito, muito decepcionado. Sou apenas um árbitro tentando viver meu sonho, o maior sonho da minha vida, que é vir à Copa do Mundo. Eu tinha os documentos certos, tudo certo”, afirmou.
O governo estadunidense justificou a decisão com base em “segurança nacional”, alegando uma suposta associação do somali com indivíduos ligados ao terrorismo — acusação que não foi detalhada nem acompanhada de provas públicas. A Somália integra a lista de países com restrições severas de entrada nos Estados Unidos.
Para analistas, o caso evidencia o que classificam como “fascismo migratório”, marcado pela criminalização de nacionalidades inteiras, detenções arbitrárias e deportações sumárias, mesmo diante de documentação válida.
De volta à Somália na quarta-feira (10), o cenário foi oposto ao vivido nos Estados Unidos. Em Mogadíscio, milhares de pessoas foram às ruas para recepcionar o árbitro com celebrações, faixas e homenagens. Eleito o melhor árbitro da África em 2025, Artan foi tratado como herói nacional.
Apesar da frustração, o somali demonstrou confiança no futuro.
Bookmark“Tudo está predestinado. Prometo a vocês que estarei apitando na próxima Copa do Mundo”, declarou.
