Terras indígenas e quilombos na mira de mineradora financiada pelo Master
A 3D Minerals, mineradora financiada pelo Banco Master, reúne 88 áreas de minerais críticos sobrepostas a territórios protegidos ou situadas em suas zonas de impacto no Brasil, segundo levantamento do Observatório da Transição Energética. Os registros, analisados pela Repórter Brasil com dados da Agência Nacional de Mineração de abril de 2026, apontam interferência potencial sobre 127 áreas, entre terras indígenas, quilombos, unidades de conservação e assentamentos.
O mapeamento identifica dez terras indígenas, cinco territórios quilombolas, 23 unidades de conservação e 89 assentamentos da reforma agrária. Pelo menos 73 das 88 áreas da empresa já receberam autorização para pesquisa mineral, etapa anterior à exploração comercial das jazidas.
Entre os territórios listados estão as terras indígenas Yanomami, Kayapó e Piripkura, além dos quilombos Kalunga e Família Magalhães. Os processos envolvem substâncias como cobre, lítio e terras raras, procuradas por indústrias de tecnologia, defesa e equipamentos destinados à transição energética.
No quilombo Família Magalhães, em Goiás, a ANM autorizou uma pesquisa de terras raras em janeiro de 2025 sem consulta prévia aos moradores. A análise administrativa considerou a área disponível, embora a comunidade seja reconhecida desde 2004 e ainda aguarde a titulação definitiva.
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Outro foco é o entorno do Parque Estadual Cristalino, em Mato Grosso, onde a mineradora concentra nove pedidos relacionados a minerais críticos. Dois ficam junto aos limites da unidade, enquanto os demais acompanham sua fronteira sul, próxima ao rio Teles Pires.
A empresa conquistou 276 áreas em leilão realizado em agosto de 2024, apenas 45 dias depois de sua criação. Para financiar as aquisições, obteve empréstimo de R$ 152,9 milhões do Master, posteriormente transferido ao BRB.
A ANM afirmou que a legislação permite atividades minerárias em territórios quilombolas e autorizações no entorno de unidades de conservação. Procurada pela reportagem, a 3D Minerals não apresentou resposta até a publicação.
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