A criação da primeira universidade federal voltada exclusivamente aos povos indígenas foi oficializada na quinta-feira (28), em Brasília. A nova instituição, chamada Universidade Federal Indígena (Unind), foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto e passa a integrar a rede federal de ensino superior do país.
A iniciativa atende a uma reivindicação antiga de lideranças indígenas e tem como objetivo ampliar o acesso das comunidades originárias à educação universitária, respeitando suas particularidades culturais, sociais e linguísticas.
O modelo da universidade prevê administração conduzida pelos próprios povos indígenas, além de processos seletivos desenvolvidos para contemplar a diversidade existente entre as diferentes etnias brasileiras.
Com sede na capital federal, a Unind também terá unidades distribuídas em diferentes regiões do país por meio de uma estrutura multicampi. A proposta foi construída ao longo de um amplo processo de diálogo promovido pelo governo federal, envolvendo representantes indígenas de diversas localidades. Segundo dados oficiais, milhares de participantes ligados a centenas de povos indígenas contribuíram para a formulação do projeto.
A expectativa do Ministério da Educação é que a instituição inicie suas atividades atendendo aproximadamente 2,8 mil estudantes. O quadro inicial deverá contar com 366 docentes e 383 servidores técnico-administrativos.
Entre os cursos previstos para os primeiros anos estão formações nas áreas de licenciatura, saúde coletiva indígena, gestão educacional e gestão territorial e ambiental.
O prédio que abrigará a sede da universidade já foi adquirido pela União em Brasília. A tramitação do projeto ocorreu ao longo dos últimos meses, passando pelo Congresso Nacional após envio do Executivo em novembro do ano passado. O texto recebeu aval da Câmara dos Deputados em fevereiro e foi aprovado pelo Senado neste mês.
Para o governo federal e representantes do movimento indígena, a criação da Unind representa um novo capítulo na ampliação das políticas públicas voltadas aos povos originários, fortalecendo a participação dessas comunidades na produção de conhecimento e na formação acadêmica.
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