A exclusão da população LGBTQIA+ do mercado de trabalho brasileiro gera impactos que vão muito além das questões sociais. Um estudo divulgado pelo Banco Mundial aponta que a dificuldade de acesso e permanência dessa parcela da população em empregos formais provoca perdas estimadas em R$ 94,4 bilhões por ano para a economia nacional, valor equivalente a aproximadamente 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O levantamento, realizado ao longo de 2025 em diversas regiões brasileiras, identificou que barreiras relacionadas à orientação sexual, identidade de gênero e características sexuais influenciam diretamente indicadores como emprego, renda e participação econômica. Além dos prejuízos à atividade produtiva, a pesquisa calcula uma redução anual de R$ 14,6 bilhões em arrecadação tributária e outros impactos nas contas públicas.
Os dados mostram que integrantes da comunidade LGBTQIA+ enfrentam maiores dificuldades para ingressar e permanecer no mercado profissional. A taxa de desemprego entre os entrevistados chegou a 15,2%, índice praticamente duas vezes superior à média nacional. O percentual de pessoas fora da força de trabalho também apareceu acima do registrado para a população em geral.
Segundo o estudo, os efeitos da exclusão são ainda mais severos para pessoas trans, não binárias e intersexo, grupos que relatam com maior frequência episódios de preconceito, rejeição e obstáculos profissionais. A pesquisa destaca que essas barreiras começam antes mesmo da entrada no mercado, afetando oportunidades educacionais e limitando perspectivas de qualificação.
Outro ponto identificado foi a sobreposição de desigualdades relacionadas a gênero, raça e localização geográfica, fatores que ampliam as dificuldades de inserção profissional. As perdas econômicas estimadas entre mulheres lésbicas, bissexuais, trans e intersexo superam as registradas entre homens LGBTQIA+.
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